- 60% dos espanhóis afirmam ter feito mais compras online durante o confinamento, consolidando o boom do comércio eletrónico e a reinvenção forçada do retalho tradicional
- A televisão foi o canal de informação preferido de 79% dos espanhóis durante a crise, seguida dos media online (62%), da rádio (32%) e do Facebook (23%)
- 54% dos espanhóis discordam da redução das aulas presenciais nas escolas
- Mais de metade dos espanhóis considera que existe censura e controlo sobre os meios de comunicação social e as redes sociais
O início do plano de desanuviamento a nível nacional marca o primeiro passo para uma "nova normalidade". Esta fase trará mudanças significativas adoptadas pelos cidadãos em Espanha e noutros países afectados pela COVID-19. Para melhor compreender a evolução dos hábitos de consumo pós-COVID, a consultora MARCO realizou o "EstudoMARCO sobre os hábitos de consumo pós-COVID-19". Este inquérito internacional foi realizado junto de mais de 4.500 pessoas em Espanha, Itália, Portugal, México, Colômbia e Brasil. Uma das principais conclusões destaca que 76% dos cidadãos dos países inquiridos alteraram permanentemente os seus hábitos de consumo.
Hábitos de consumo
O boom do comércio eletrónico veio para ficar após o confinamento. A Espanha destaca-se como um dos mercados onde os consumidores declararam ter feito mais compras em linha durante este período, com 60%. Esta tendência é também observada na América Latina (65%) e é particularmente notável em Itália (atingindo 81%). Do mesmo modo, após o confinamento, 40% dos espanhóis continuarão a fazer compras em linha em vez de o fazerem em lojas físicas. A tendência ascendente é também evidente na América Latina (51%) e atinge novamente o pico em Itália (82%). Consequentemente, este crescimento tem impacto no sector retalhista, tornando as vendas online e os canais de marketing um investimento necessário. Além disso, conduzirá à adaptação de um novo modelo logístico para os retalhistas.
Canais de informação
Durante o período de confinamento, 79% dos espanhóis confiaram na televisão para obter notícias e actualizações. A imprensa em linha vem logo a seguir com 62%, ocupando o segundo lugar entre todos os países inquiridos. Por último, a rádio, com 32%, e as redes sociais, nomeadamente o Facebook, com 23%, completam esta classificação.
Ao mesmo tempo, registou-se um aumento na utilização de várias plataformas de streaming. As plataformas que registaram um maior aumento de utilização foram a Netflix (52%) e a Amazon Prime (41%). Além disso, os consumidores recorreram aos jogos de vídeo (46% dos homens contra 31% das mulheres) como uma das principais opções de lazer durante o confinamento.
Controlo de redes de media e socia
De acordo com o "EstudoMARCO sobre os hábitos de consumo pós-COVID-19", mais de metade dos espanhóis (54%) considera que houve censura e controlo dos meios de comunicação social e das redes sociais desde o início da crise sanitária. Depois da América Latina, com 60%, a Espanha está entre os países com maior perceção do controlo dos meios de comunicação social e das redes sociais. Entre os seis países inquiridos, Portugal foi o único em que a população não teve uma perceção significativa do controlo governamental, com apenas 30% de concordância.
A maioria dos espanhóis não só aponta a censura dos media e das redes sociais, como também critica a dificuldade de conciliação entre a vida profissional e pessoal. Mais de metade dos espanhóis (54%) opõe-se ao regresso às aulas presenciais durante apenas metade do horário escolar.Didier Lagae, CEO e fundador da consultora de comunicação MARCO e Global and European PR Professional of the Year 2019, destacou que "o boom do comércio eletrónico veio para ficar. Ao mesmo tempo, verificamos que os espanhóis sentem que existe controlo e censura governamental sobre os meios de comunicação social e as redes sociais. Além disso, o inquérito sublinha a insatisfação dos pais com as medidas adoptadas pelo Estado e os desafios de equilibrar o trabalho e a vida familiar".